sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Vida


   Olho para o teto, conto parte por parte do forro amarelado. As aranhas pequenas e ágeis passam correndo, tecendo, trabalhando, cada uma carregando suas responsabilidades.
  Olho para a rua, sinto o asfalto esfriando, após um dia inteiro de sol escaldante. As pessoas passam, algumas grandes, outras pequenas, andando, correndo, falando, sorrindo, sofrendo, chorando, amando, vivendo... morrendo.
  Olho para o mar, vejo suas águas indo e vindo, ouço seu murmuro, vejo sua calma e sua fúria ao quebrar de suas ondas à beira do cais. Os barcos balançando, a brisa úmida e cheirosa acaricia meu rosto.
   Olho para o espelho, vejo um ser sério, mudo e apático, vejo um brilho embaçado no fundo dos olhos refletidos, e por alguns segundos adentro na alma e vejo suas inquietações, seus desamores, suas angustias.
   Olho para o céu, não vejo nada, mas sei que lá existe algo que mesmo não podendo ser visto, existe. Existe e é superior a tudo, às aranhas que percorrem o teto, às pessoas que andam na rua, ao mar com sua imensidão, à minha imagem refletida no espelho e até mesmo ao próprio céu lindo e infinito.

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